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Apple ProRes 422 Compressão e qualidade; agora juntos!

Quarta, 14 de Maio de 2008

Clemente Gauer é um grande amigo da Interface, este texto já tem algum tempo pórem continua relevante e atual…

Novo Codec da Apple promete – e cumpre – vídeos compactos e bonitos de se ver

Por Clemente Guaer

Nada melhor para descrever a importância de compressão de matéria em nossas vidas do que olhar para coisas de nosso cotidiano. Geladeiras por exemplo: elas comprimem um gás e, assim, conseguem eliminar calorias de seu conteúdo. Todos nós deveríamos abençoar o físico Faraday, não só por suas gaiolas, jaulas e capacitores, mas também por descobrir que, comprimindo o gás amônia, eliminando o calor resultante desta compressão e depois ao deixar este se expandir, acabaria resultando em frio! Sim, o ar condicionado de nossos carros e escritórios, assim como a geladeira de nossas casas, comprimem “informação” térmica, gerando um diferencial necessário para dissipar o excesso de calor em um meio aquecido para então descomprimir e gerar frio, frio capaz de gelar até a espinha de Lucifer.

Falta de compressão também não é nada prático, principalmente em aviões, montanhas altas e sistemas digitais! De nada nos serve ar rarefeito ou falta de pressão sobre nossas artérias e pulmões, assim, como na formação das imagens eletrônicas, não convêm transmitir, armazenar e processar dezenas de milhões de pontos idênticos para apenas formar uma simples imagem totalmente branca e sem aparente informação.

Diante do excesso de informação em nosso cotidiano, outras pessoas além do atual prefeito da cidade de São Paulo, tomaram providências para deixar nossas vidas mais leves porém ainda bonitas. Pelo menos é o que se espera, quando grandes “outdoors” viram “banners” na web e produções cinematográficas viram ridículos discos de plástico com quatro números e uma letra: 1080p! Ora, como isso é possível? Faraday, possivelmente, diria que sábio será aquele que consegue enxergar todos os detalhes, sintetiza-los de maneira enxuta e posteriormente reproduzi-los com a mesma riqueza, qualquer que seja o meio ou “mídia”. Eu, simplemente, diria: é tecnologia, aquela que nos alimenta de problemas que nunca antes tivemos, ou o enigma que faz o homem caminhar, lutar e crescer. Não é fácil, exige paciência e tempo. O melhor exemplo é justamente o setor de mídia exterior em São Paulo, hoje rapidamente comprimindo sua substancia para alguns “pixel” na Internet.

Depois deste breve devaneio sobre o impacto da compressão em nosso cotidiano, a Apple, empresa que sempre teve grande “culpa” dos mais avançados acontecimentos em tecnologia criativa, apresentou na última NAB um pequeno, porém grande, detalhe de seu novo Final Cut Studio 2. Se trata de um “codec”, algo aparentemente simples ou irrelevante, mas capaz de mudar tudo no mundo do vídeo HD. “ProRes 422″ é o seu nome; hoje é capaz de soar meio como MP3 em meados dos anos 90.

O ProRes 422 promete muito, quase como aquela tradicional faca de corte infinito na TV. Porém, o ProRes 422 cumpre o que promete, veio para ficar e mesmo sem cortar meias e latas. Sua qualidade é afiada ou “sharp” e suas cores de nada ficam devendo a imagens pesadas e sem compressão. Como isso é possível? Ora, da mesma maneira que é possível comprimir um arquivo de texto, ou “zipar” no jargão dos computadores, e posteriormente descomprimir e reaver toda a informação ali contida, sem que “trocadilho do Carilho” vire outra coisa! Porém, diferente do “ZIP”, uma compressão sem aquela perda dos computadores ou seja “lossless”, o ProRes 422 flerta no mundo dos codecs com perda, ou comumente chamados de “lossy”. É aí que encontra-se seu trunfo.

Existia um verdadeiro “YING e YANG” ao se formar um codec, uma escolha crucial a ser feita: qualidade contra tamanho de arquivo, ambos de igual para igual na mesma balança e ainda em sistemas de pouca oferta de processamento. Agora, com a quantidade de processamento disponível, cada vez mais aprimoram-se os algoritmos de compressão e sua capacidade analítica e critica de abstração, que inteligentemente seleciona o que pode ser cortado ou não pode. Indexado e garantido, com uma compressão ótima, lembrando que “ótima” e “compressão” são palavras que raramente se encontravam juntas no vídeo, até que, com o ProRes 422, elas passaram a andar de mão dada. O ProRes 422 é um codec que goza ainda de uma taxa variável de compressão, de acordo com a complexidade da imagem, tecnologia conhecida como VBR (Variable Bit-Rate).

Então o ProRes 422 é lossy também? É sim, mas sua compressão atua em níveis praticamente imperceptíveis, tanto para os mais treinados olhos humanos, quanto ao mais sensível equipamento de medição, mesmo depois de dezenas de gerações. Como pode ser usado para SD, oferece melhor qualidade, 10bits, com praticamente igual “data-rate” dos codecs DVCPRO 50 e IMX-50, formatos estes que são apenas 8bits.

Com base em material padronizado para testes, StEM (Standard Evaluation Material) e executando-se um teste de taxa de sinal/ruído (Luma PSNR), o ProRes 422 - em alta qualiade (HQ) - se mostrou superior, apresentando 56.4 dB. Já o Avid DNxHD e Panasonic D5 saíram com 54.4 dB e 52.2 dB respectivamente.

A seu favor e a favor do mercado, o ProRes 422 se impõe por oferecer a possibilidade de trabalhar, pela primeira vez, em um formato de vídeo que possibilita a aquisição em campo de HD 1080 com qualidade de material sem compressão “uncompressed”. E isto a baixíssimo custo, por meio de uma estação portátil MacBook Pro e interface AJA io HD, pesando o equivalente a 3 garrafas de 2L do refrigerante mais vendido no mundo. Não só isso, permite até que um simples e único HD interno seja capaz de alimentar uma estação com quatro “streams” de vídeo, simultaneamente e sem conseqüências para o processador de um Mac Pro.

Voltando a geladeira: Depois de alguns testes que fiz, eu diria que o ProRes é uma “famosa marca de geladeiras”! Trabalhar com o ProRes é muito agradável, em momento nenhum nota-se qualquer sinal lentidão ao operar o Final Cut Pro 6, Color ou Motion. A compressão é feita em tempo real, tanto para gravar, quanto para exportar. E apesar do ProRes ser novo, ele funciona com as placas de captura SDI já existentes da Black Magic e AJA.

Subentende-se que, para trabalhar com o ProRes, um Macintosh é necessário. Para alguns pode ser um ponto negativo, mas para o ambiente profissional o que o ProRes está visando, por hora ainda não existe solução com custo-benefício similar.

Resumindo: É um codec que trás qualidade HD sem compressão ou “uncompressed”, porém com tamanho de arquivo “data-rate” de formato SD. Tudo isso com excelente preservação entre-gerações e ainda assim o “leve” suficiente para se editar. Agora, imaginem a redução de custos de armazenamento, de distribuição da informação e de ar condicionado que o ProRes 422 oferece para uma emissora ou até para um simples vídeo-maker solitário…

Parece muita promessa, mas desta vez é fato. Se depender da dor de cabeça que tive em uma viagem para o ar rarefeito dos Andes, nunca mais volto para o “uncompressed”…